Em tempos de mercado de trabalho limitado por uma conjuntura socioeconômica cheia de barreiras a serem transpostas, a seleção de profissionais deve se basear no potencial de contribuição que possam aportar para a empresa.

O artigo da revista Forbes “10 razões para contratar e manter trabalhadores 50+” analisa as características necessárias a um contexto de inovações propício ao desenvolvimento de ambientes de negócio favorecedores do crescimento da empresa.

A chamada feita pela autora a um “despertar cultural” (cultural wake-up call) para os benefícios da contratação e preservação de trabalhadores maduros – de 50 anos e acima – indica ganhos para todos: empresas, trabalhadores e economia.

Ela fundamenta a afirmação pela descrição dessas 10 características encontradas nos trabalhadores maduros:

1. Lealdade e Estabilidade

Os trabalhadores de 50+ anos já estão laboralmente estabelecidos, longe das tendências de ceder às tentações de ofertas sedutoras de outros postos de trabalho.

O custo de contratação é maior do que o custo de manter profissionais experientes da empresa que têm o compromisso de contribuir para o desenvolvimento das equipes.

As empresas investem poucas horas e recursos para a busca, contratação e treinamento de novos empregados, que, rapidamente, deixarão esse trabalho por ofertas tentadoras e de pagamento superior.

Nos Estados Unidos, um documento do Federal Reserve Bank of Chicago relatou a prática de alguns jovens funcionários que “silenciosamente” entram e saem de empregos com facilidade e sem deixar rastro.  Diz a autora que essa prática é associada a jovens trabalhadores, segundo suas fontes.

2. Habilidades para a tomada de decisão

Esse é um ponto bastante óbvio quando se trata de trabalhadores experientes. Com eles, se tem quem resolva os problemas da forma mais satisfatória possível.

Além disso, o trabalhador maduro tem capacidade de pensamento crítico que fortalece a tomada de decisão sólida e no tempo certo, sem necessidade de suporte.

Quando se fala em tecnologia, trabalhadores jovens podem ser reticentes quanto à capacidade dos profissionais maduros.

Entretanto, em termos gerais, esse não é o caso das Gerações X e Baby Boomers de que se tem notícia. Ainda que fosse, a habilidade para operar as tecnologias é passível de ser ensinada, mesmo que tome um pouco mais de tempo.

Sendo mais difícil de passar o conhecimento e a sabedoria construídos ao longo de 20 ou 30 anos no campo do trabalho.

3. Autoestima

Os trabalhadores maduros tendem a se sentir confiantes e preparados. Sendo que a situação ideal mistura a confiança e a expertise que garantem o bom desempenho que se alcança com a idade.

4. Capacidade cognitiva

Quando se procura um conjunto de habilidades mentais ideais em um trabalhador, espera-se achar (I) capacidade gerencial; (II) liderança; (III) potencial de comunicação e (IV) empatia – que são qualidades que continuam se desenvolvendo conforme envelhecemos.

Diante de encruzilhadas e dilemas, os trabalhadores maduros persistem em achar saídas, sem esmorecer.

5. Atitude

Embora possa ser uma generalização, são características comuns do trabalhador maduro: proatividade, visão positiva e soluções práticas.

Isso por que a maturidade reduz os desafios colocados em outras fases da vida.

Nesse momento, os filhos estão independentes, a hipoteca foi paga e outros encargos financeiros já terminaram, tornando esse período da vida favorável ao foco da energia no trabalho que não era possível antes.

6. Ação colaborativa

Valorização do trabalho coletivo é uma peculiaridade dos trabalhadores maduros que têm como prática recorrer a diferentes áreas do conhecimento, idades e contextos – para agregarem valor ao desenvolvimento de suas atividades. 

Nesta fase da vida, para os trabalhadores acima de 50 anos é mais aceitável ser parte de um todo. Já sem questões de ego, o trabalhador maduro se satisfaz com a diversidade de colegas de trabalho.

Quando consultados, dirão que não mais aspiram a cargos de chefia ou de gestão de carreiras de outros. Eliminando o estresse típico dessas funções, podem se concentrar em atingir o melhor desempenho possível para a empresa, proporcionando impacto e fazendo a diferença. 

7. Capacidade de liderança

Em geral, aqueles que já trabalham há muitos anos são bons líderes, ainda que a liderança não seja uma capacidade intrínseca.

A sua boa comunicação não foi baseada em mensagens de e-mail, textos ou mídia social, mas resultou do contato com as pessoas de forma geral, ao contrário de profissionais mais jovens que relutam em aceitar esse componente funcional.

8. Habilidades essenciais e redes de relacionamentos

Os trabalhadores maduros, em geral, têm excelente experiência em gestão, marketing e finanças, além de profundo conhecimento sobre indústria. 

Os achados de estudos feitos pelo The Center on Aging and Work at Boston College mostraram que 46,3% dos empregadores afirmaram que seus funcionários mais velhos têm redes profissionais e redes de clientes mais fortes, em comparação com 30% que disseram o mesmo sobre seus trabalhadores mais jovens.

9. Produtividade

A diversidade de idades é um fator positivo para a performance das empresas, como corroboram estudos que demonstram a boa produtividade alcançada por equipes onde há profissionais de diversas idades. 

10. Mentores

Esse tópico, segundo a autora, atrai muita atenção: no ambiente de trabalho, trabalhadores maduros representam importante papel na formação de profissionais mais jovens.

O processo de aprendizagem ocorre nos dois sentidos, em intercâmbio permanente e respeito recíproco.

A ação de co-mentoring permite que se aprenda novas formas de fazer as coisas e de realizar mudanças mentais.

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Créditos:

Versão reduzida e de livre tradução do artigo de Kerry Hannon “10 Reasons To Hire and Retain Workers 50+”, publicado originalmente em https://www.forbes.com/sites/kerryhannon/2019/07/21/10-reasons-to-hire-and-retain-workers-50/#7cd9675b2faa

About

Silvia Costa

Pesquisadora de práticas interativas nas áreas de promoção da saúde, de educação e de longevidade. Consultora em instituições públicas e empresas. Palestrante em eventos acadêmicos e programas de extensão da Universidade Federal de Viçosa, MG, desde 2015. Atuação em pesquisas do Núcleo de Experimentação em Tecnologias Interativas (Next)/Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), desde 2010. Ex-diretora do Departamento de Atenção ao Idoso, do Ministério do Desenvolvimento Social [atual Ministério da Cidadania] (2017-2018), e ex-diretora do Centro Internacional de Longevidade Brasil (2012-2016).