Depois de anos de preocupações e reflexões sobre como lidar com os millennials, como eles demandam uma abordagem diferente no processo de contratação, liderança e desenvolvimento, as empresas agora precisam estar cientes sobre sua força de trabalho madura.
Enquanto os millennials estão na casa dos 20 a 30 anos, a força de trabalho madura refere-se aos trabalhadores que têm mais que 50 anos.
A força de trabalho madura é a que mais cresce
Por que o novo foco? Porque a força de trabalho madura se tornou o segmento de trabalhadores que mais cresce em vários países industrializados.
Até 2030, mais de 23% da população em idade ativa em todos os países do Conselho para Cooperação no Golfo terá mais de 50 anos – um aumento expressivo comparado aos 13% em 2015, de acordo com um relatório da Mercer e da Oliver Wyman.
Na Europa, países como Espanha, Irlanda, Portugal e Itália deverão registrar um aumento significativo na força de trabalho acima de 55 anos, enquanto no Reino Unido, trabalhadores acima dos 50 anos representam quase um terço do total, comparado a quase um quinto no início dos anos 90.
Nos EUA, estima-se que em 2024 se tornem a maior população ativa, tendo sido a menor em 1994, enquanto em países como Japão e Coreia do Sul o ritmo de crescimento é ainda mais rápido.
As razões para isso são bastante simples. As pessoas estão envelhecendo em melhores condições e vivendo por mais tempo.
A idade já não é uma restrição legal na maioria dos países e, de modo geral, o trabalho realizado não é fisicamente tão extenuante como era antigamente.
O que isso significa, no entanto, é que em um futuro muito próximo, teremos forças de trabalho que irão de 18 – 21 anos até o fim dos 60 e começo dos 70 anos.
Como iremos lidar com essa variedade demográfica, ao mesmo tempo que nos confrontamos com as mudanças na dinâmica de como as pessoas querem trabalhar, de modo a que todos os colaboradores fiquem o mais engajados e produtivos possíveis?
A natureza mutável da força de trabalho
As faixas etárias cada vez mais diversificadas são apenas um macro fator que impacta a forma como trabalhamos.
Estamos chegando em um momento em que as expectativas de como interagimos com as organizações, com os funcionários e clientes evoluíram para além do que se conhecia.
Se eu quero algo agora, eu clico em um botão e o recebo, seja um livro, um carro ou uma entrega de comida.
Chame isso de efeito Amazon/Uber ou consumerização da TI – seja qual for a forma que chamamos, as pessoas querem e esperam ter o mesmo nível de experiência em casa, no trabalho ou em uma loja, independentemente do fornecedor.
Com o fornecimento de equipamentos e serviços de TI, todos podem ter o mesmo dispositivo, aos mesmos aplicativos e funcionam da mesma maneira.
Esta já não é a experiência que os empregados querem, e também não funciona para os empregadores. Eles querem forças de trabalho engajadas e produtivas para oferecer melhores serviços aos clientes.
Essas organizações que capacitam os funcionários com os aplicativos e ferramentas de trabalho quase dobram a qualidade do serviço em comparação com aquelas que não o fazem (17% contra 9%), de acordo com um estudo da VMware com a Forbes.
Uma vez que as empresas entendem isso, elas começam a olhar para como projetam seus locais de trabalho de forma a permitir uma abordagem menos restritiva, mas ainda controlada, para o trabalho.
Ao fazer isso, elas são capazes de oferecer múltiplas abordagens de trabalho para seus funcionários – de modo que o mais idoso possa trabalhar de uma forma, o millenial de outra maneira, caso o queira, mas os resultados permanecem o mesmo.
Eles também podem desbloquear novas abordagens para funções que podem criar uma verdadeira diferenciação – o colega inteligente.
‘Millennials’ ou ‘trabalhadores mais vividos’ não importa (mas um colega inteligente sim)
Considere um supermercado. É onde muitos de nós temos nossa primeira experiência de trabalho, como adolescentes mal humorados encarregados de empilhar prateleiras e gerenciar caixas.
Para ser honesto, enquanto a mão de obra pode ser barata, a experiência do cliente corresponde à falta de visão e, portanto, ao investimento nesse papel – talvez um dos olhares vagos e respostas rudes quando perguntado se um determinado produto está em estoque ou onde algo pode ser encontrado.
Alguns anos atrás isso poderia ser aceitável, mas com o cenário varejista em constante fluxo e os consumidores muito mais propensos a recomendar uma empresa ou marca com base na qualidade do serviço (66%) do que no preço (31%), de acordo com um estudo, as grandes marcas precisam de novas formas de diferenciação.
A experiência que obtemos é o resultado de anos sem investir nesses requisitos
E se começássemos a fazê-lo?
Estamos falando sobre varejo, mas pode ser facilmente aplicado a turismo, transporte, saúde e bancos. E se tornarmos esses papéis desejados, ao invés de algo sofrível?
Como fazemos isso? Empoderando os funcionários. Dê a eles as ferramentas para saber o que está acontecendo a qualquer momento. Isso significa tecnologia, mas não simplesmente atrás de uma caixa registradora ou uma estação de trabalho.
No contato próximo, chegar até os clientes ao invés de fazê-los irem até você. Seria muito melhor para cancelar uma passagem de trem (ou verificar a disponibilidade da mesma) se os funcionários fossem capaz de se envolver proativamente ao invés de ter que forçadamente entrar em uma fila de espera.
Isto não só melhora a experiência do cliente, como também se destaca como um verdadeiro diferencial. Ele altera a maneira como percebemos certos papéis.
De repente, não se trata apenas sobre mão de obra barata, mas de ter habilidades e remuneração coerentes para refletir isso.
Pode ser que ao invés de uma progressão natural, que significa se afastar do chão de fábrica, é na verdade passar para o chão de fábrica e se tornar um colega inteligente.
Não é um caminho exclusivo para os mais idosos, ou que os millennials são impedidos de seguir, é um caminho que foi projetado com o cliente em mente, podendo ser ocupado por qualquer um que preencha os critérios necessários.
A escolha do emprego
É hora do trabalhador escolher como trabalha e não mais ser ditado pelas convenções. Isso pode significar que os mais maduros fiquem no chão de fábrica com um tablet enquanto os millennials ficam no escritório com um computador.
O que quer que pareça, todos merecem a mesma consideração e acesso aos dispositivos e aplicativos necessários para seu trabalho.
É a única maneira de garantir a melhoria na produtividade e engajamento e, mais importante, uma experiência melhor para o cliente.
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Créditos:
Foto: divulgação.
Livre tradução do artigo de Ahmed Auda, “Changing Dynamics: Why Organizations Need To Adapt To An Aging Workforce”, publicado originalmente em https://www.entrepreneur.com/article/337086