REINO UNIDO – À medida que vivemos vidas mais longas, é inevitável que muitos trabalhadores, em especial, aqueles com mais de 50 anos de idade, queiram trabalhar por mais tempo.
Isso também faz sentido no ponto de vista empresarial: com menos jovens começando a trabalhar para substituir aqueles que irão se aposentar nos próximos anos, juntamente com a incerteza sobre o Brexit e a escassez da mão de obra, os empregadores não podem se dar o luxo de perder trabalhadores os trabalhadores com 50+ anos de idade, normalmente os mais experientes.
Trabalhadores 50+ foram os principais responsáveis pelo crescimento pós-reforma no Reino Unido
Uma análise recente da Office for National Statistics sobre as alterações na composição do trabalho no Reino Unido durante e após o colapso econômico de 2008, mostra que as pessoas com mais de 50 anos foram os principais responsáveis para o crescimento pós-reforma no total de horas.
Agora preenchem um terço (30%) de todas as horas trabalhadas no Reino Unido. O percentual de horas trabalhadas começou a aumentar mais rapidamente após a recessão e foi a que mais cresceu comparada as outras faixas etárias.
Os dados mostram que, desde meados de 2001, o número de pessoas empregadas aumentou de forma consistente, resultando em um aumento de mais de três milhões e um recorde de 32.2 milhões de pessoas empregadas.
Em parte, isto é causado por uma maior proporção de pessoas que trabalham – para os empregadores ou para si próprias –, por tempo integral ou parcial.
O ponto crucial é que esses três milhões de trabalhadores provêm de forma desproporcional de grupos etários mais velhos. Grande parte do aumento do emprego provém de pessoas que permanecem mais tempo no mercado de trabalho – e não de novos entrantes.
Em outras palavras, as pessoas com 50+ anos representam cerca de um terço dos trabalhadores do Reino Unido, e dois terços do aumento do emprego desde 2011. Quase metade (46%) dos trabalhadores independentes tem mais de 50 anos de idade, de acordo com a análise Rest Less.
Estas tendências devem-se, em partes, ao envelhecimento da população como um todo – uma sociedade com população mais velha, em média, do que em décadas anteriores – mas também a mudanças no comportamento e nos padrões de trabalho, uma vez que uma grande parte das pessoas está adiando a aposentadoria e continuando a trabalhar após os 50 anos.
Trabalhadores mais velhos precisam de mais apoio
É evidente que os trabalhadores mais velhos desempenharam um papel importante no apoio à economia britânica após a crise econômica de dez anos atrás.
De fato, os números oficiais mostram que a redução pela metade da diferença de emprego entre as pessoas com idades compreendidas entre 50 anos e as que estão nos 40 anos, poderia levar a um aumento anual do imposto sobre o rendimento e das receitas da Seguridade Social de 1% (equivalente a um pouco menos de três bilhões de libras esterlinas) e um aumento do PIB de mais de 1% (18 bilhões de libras esterlinas) por ano.
Mas sabemos que ainda há um grande desafio na redução do desemprego entre pessoas com mais de 50 anos de idade. Cerca de um milhão de pessoas entre 50-64 anos gostariam de trabalhar, mas neste momento não está trabalhando.
E, claro, precisamos acabar com a discriminação etária. Apesar de ser ilegal, a discriminação contra pessoas idosas continua a ser generalizada em alguns locais de trabalho.
Uma pesquisa do Centre for Ageing Better mostra que muitos trabalhadores mais velhos já sofreram discriminação pela idade no trabalho.
Além disso, quando olhamos para o impacto da discriminação sobre as mulheres mais velhas, idosos com deficiência, ou idosos pertencentes ao grupo BAME (negros, asiáticos e minorias étnicas) – bem como aqueles que recebem baixos salários – podemos ver que há muitas vezes um impacto cumulativo das desigualdades.
Tornar-se um empregador amigo dos idosos é um bom negócio
Estas alterações na composição do mercado de trabalho são tendências que deverão se manter. Tornar o local de trabalho mais favorável a idades mais avançadas é um passo fundamental para recrutar e manter as pessoas com mais de 50 anos de idade e muitos empregadores estão começando a despertar para isso.
Há muitas coisas práticas que os empregadores podem fazer para criar um local de trabalho favorável aos idosos. Isto inclui tornar o trabalho mais flexível.
Proporcionar flexibilidade e liberdade para trabalhar foi sempre uma excelente forma de incentivo. Especialmente para pessoas com mais de 50 anos, que provavelmente podem ter algumas condições de saúde que eles pretendem conciliar com a permanência no trabalho.
Igualmente importante é incentivar e facilitar o desenvolvimento de carreira e competência em todas as idades, e não apenas para as gerações mais jovens.
Os trabalhadores mais velhos dizem frequentemente que não lhes são dadas as oportunidades para progredir, formar ou desenvolver as habilidades que necessitam.
Da mesma forma, oferecer serviços de aconselhamento financeiro para idosos é uma excelente maneira de fazê-los pensar a respeito do futuro – incluindo fazer planos para trabalhar por mais tempo, passos para rever sua saúde e rever suas finanças.
Empregadores não podem se dar o luxo de perder trabalhadores 50+
Qualquer que seja seu papel no mercado de trabalho – seja como recrutador ou gestor – é importante lembrar que as pessoas que trabalham com você e que ajudam a economia serão cada vez mais velhas.
E se queremos aproveitar ao máximo nossa longevidade, precisamos de empregos gratificantes que nos deem significado e sentido, que nos ajudem a ter vida social e que nos permitam ter estabilidade financeira a medida que envelhecemos.
Isto significa que tornar-se um empregador amigo dos idosos não é apenas “uma coisa boa a se fazer”, mas sim uma parte essencial para ser competitivo em um mercado de trabalho em constante mudança.
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Créditos:
Livre tradução do artigo de Claire Turner “Firms need to place more value on older workers”, publicado originalmente em https://workplaceinsight.net/firms-need-to-place-more-value-on-older-workers/