A Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê que cerca de 25 milhões de trabalhadores percam seus empregos devido à pandemia. No Brasil, já é possível contabilizar um número expressivo de cortes na jornada de trabalho, suspensão de contratos e demissões.
Por mais que o segmento de emprego para trabalhadores 50+ esteja em ascensão e que eles estejam protagonizando um envelhecimento ativo através do trabalho, vale lembrar que se a meta do governo brasileiro for alcançada com sucesso, 80% dos empregos formais serão subsidiados. Porém, outros 20% da população empregada antes da pandemia perderão o emprego.
No setor de serviços, mais de 1 milhão de trabalhadores 50+ podem perder o emprego devido à pandemia
Ainda não existem muitos dados disponíveis para dimensionarmos, com precisão, o impacto sobre os trabalhadores 50+ no Brasil. Mas um estudo da LABORe e o Laboratório do Futuro da COPPE/UFRJ estimou que 14% dos trabalhadores do setor de serviços serão demitidos no horizonte de um ano. Das 6,7 milhões de demissões esperadas, 1,2 milhão será de trabalhadores com 50 anos ou mais, o que representará 18% do total de demissões do setor.
Na faixa etária de 50 a 64 anos, dos pouco mais de 1,1 milhão empregados, o número de demitidos poderá alcançar 14%, enquanto que de cerca de 90 mil trabalhadores com 65 anos ou mais, que estavam empregados antes da pandemia se propagar no país, 13% devem ser demitidos.
O estudo não considera aspectos qualitativos. Por isso, eu chamo atenção para a possibilidade desses números se tornarem ainda maiores, dependendo de como as empresas e seus gestores decidirem gerenciar a força de trabalho madura durante a crise.
Questões específicas que tornam os trabalhadores mais vulneráveis a partir dos 60 anos
Em primeiro lugar, os trabalhadores idosos constituem o grupo de risco com maior mortalidade pela COVID-19, resultado da associação do coronavírus – que não é ‘doença de velho’ – a doenças preexistentes típicas da idade avançada.
Em segundo lugar, o trabalho flexível e remoto é um modelo novo para grande parte desse contingente de trabalhadores, que construiu sua carreira nos moldes do trabalho presencial. A transição é perfeitamente possível, mas demanda algum tempo de adaptação, estratégia e estrutura.
Um terceiro ponto é que para mitigar o alto risco para a saúde, os trabalhadores idosos foram os primeiros a entrar no sistema de distanciamento físico e, provavelmente, serão os últimos a deixá-lo. Isso fará com que o período de afastamento do ambiente de trabalho seja maior para eles do que para trabalhadores de outras faixas etárias.
O quarto fator que justifica a maior vulnerabilidade dos trabalhadores idosos é que o preconceito pode fazer com que a idade avançada ganhe força como critério para demissão, sobrepondo-se ao histórico de desempenho e potencialidades do trabalhador.
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